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SUGESTÕES DE MÚSICAS E PARÓDIAS PARA A ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS, DE LINGUAGEM E CIÊNCIAS NATURAIS E EXATAS

90-    Por enquanto    -   Cássia Eller (composição: Renato Russo)
Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que
Alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim
Tão diferente...

Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o prá sempre
Sempre acaba...

Mas nada vai
Conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí, então, estamos bem...

Mesmo com tantos motivos
Prá deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo
De volta prá casa...

Sugestões

A aula pode ser dividida em dois momentos, orientados pelo professor, mas com a participação de toda a classe. Depois de apresentar a música para a turma (Cássia Eller), comente também sobre a importância de Vinícius de Moraes para a música popular brasileira. Solicite que os alunos pesquisem outras músicas e poesias em que se apresentem as duas figuras de linguagem estudadas. Saliente outras figuras de linguagem que os textos apresentem (metáfora, polissíndeto, aliteração, etc.).



91-    Autonomia   -   Titãs (composição de Marcelo Fromer / Arnaldo Antunes / Paulo Miklos)

O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz
Os pais são todos iguais
Prendem seus filhos na jaula
Os professores com seus lápis de cores te prendem na sala de aula
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz

Ia pra rua, mamãe atrás s
Ela não me deixava em paz
Não aguentava o grupo escolar
Nem a prisão domiciliar
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz
Mas o tempo foi passando então eu cai numa outra armadilha
Me tornei prisioneiro da minha própria família
Arranjei um emprego de professor

Vejo os meus filhos, Não sei mais onde estou
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz

Os pais São todos iguais
Prendem seus filhos na jaula
Os professores com seus lápis de cores
Te prendem na sala de aula
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz
Ia pra rua, Mamãe atrás s
Ela não me deixava em paz não aguentava o grupo escolar
Nem a prisão domiciliar
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz
Mas o tempo foi passando então eu ca¡ numa outra armadilha
Me tornei prisioneiro da minha própria família
Arranjei um emprego de professor
Vejo os meus filhos, não sei

Para conversar:

É possível identificar a temática Controle Social. Questões como "é importante o controle social?" "Somos livres em sociedade?" Seria possível vivermos em sociedade se todos fossem completamente autônomos?".


92-      Música: Another brick in the wall  -

Outro Tijolo Na Parede (tradução) Pink Floyd

O papai voou pelo oceano
Deixando apenas uma memória
Foto instantânea no álbum de família
Papai, o que mais você deixou para mim?
Papai, o que você deixou para mim?
Tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

"Você! Sim, você atrás das bicicletas, parada aí, garota!"

Quando crescemos e fomos à escola
Havia certos professores que
Machucariam as crianças da forma que eles pudessem
(oof!)
Despejando escárnio
Sobre tudo o que fazíamos
E os expondo todas as nossas fraquezas
Mesmo que escondidas pelas crianças
Mas na cidade era bem sabido
Que quando eles chegavam em casa
Suas esposas, gordas psicopatas, batiam neles quase até a morte

Não precisamos de nenhuma educação
Não precisamos de controle mental
Chega de humor negro na sala de aula
Professores, deixem as crianças em paz
Ei! Professores! Deixem essas crianças em paz!
Tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

Não precisamos de nenhuma educação
Não precisamos de controle mental
Chega de humor negro na sala de aula
Professores, deixem as crianças em paz
Ei! Professores! Deixem essas crianças em paz!
Tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

"Errado, faça de novo!" (2x)
"Se você não comer sua carne, você não ganha pudim. Como você
pode ganhar pudim se não comer sua carne?"
"Você! Sim, você atrás das bicicletas, parada aí, garota!"

Eu não preciso de braços ao meu redor
E eu não preciso de drogas para me acalmar
Eu vi os escritos no muro
Não pense que preciso de algo, absolutamente

Não! Não pense que eu preciso de alguma coisa afinal
Tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

Vamos conversar:
A partir da música é possível discutir algumas questões referentes as principais idéias discutidas por Durkheim, Weber e Marx. São elas: Fato Social; Controle Social; Burocracia; Ideologia; Dominação.


92-        93- Samba da mais-valia - Sergio Silva
93-   
Síntese de muitas determinações
A realidade social é feita de contradições
Mas a árvore não pode esconder o arvoredo
Vem o grande analista, revela o segredo
da acumulação de capital

É mais-valia pra cá, É mais-valia pra lá.
Capitalismo é selvagem, É global.
É mais-valia pra cá, É mais-valia pra lá,
Tempo roubado do trabalho social.

Mercadoria é alienação,
Trabalho, salário: a danação
A grana diz ‘trabalho sozinha’,
A fórmula é DMD’.

Síntese de muitas determinações
A realidade brasileira é feita de contradições
Mas o grande analista indicou o caminho
Ninguém pode vencer essa luta sozinho.
É luta de classes e coração.
Tem a novela, meu bem
E tem a Xuxa, também.
Proselitismo tem no Jornal Nacional.

Tem desemprego, meu bem
E tem a dengue, também.
Desigualdade e tortura federal
No Brasil todo foi um ti-ti-ti
Todo mundo pensando
Do Oiapoque ao Chuí
Mas agora é a hora da transformação,
O carnaval traz nossa revolução.

Síntese de muitas determinações
A realidade social é feita de contradições
Mas a árvore não pode esconder o arvoredo
Vem o grande analista, revela o segredo
da acumulação de capital.

O manifesto falou, o comunismo escutou:
Tem que seguir o movimento popular.
O grande mestre mostrou,
A grande escola ensinou:
Dizer o samba no pé, se revoltar

Lá no rio vermelho, Na Filosofia
Descobrir o pandeiro, a cuíca, a magia.
Mas agora é a hora da transformação:
O carnaval traz nossa revolução


94-Mulheres de Atenas
Chico Buarque

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas,
Helenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas, não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenasSerenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de AtenasSecam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas


BREVE COMENTÁRIO

Ótima música para discutir o papel da mulher na sociedade atual, buscando comparar suas posições atuais com àquelas apresentadas no música.


95-  Calice   -  Chico Buarque

(refrão)
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
(refrão)
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
(refrão)
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
(refrão)
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça


BREVE COMENTÁRIO

A Música de Chico Buarque é uma manifestação crítica à pressão do Estado durante a Ditadura Militar brasileira. Crítica a sensura que se estalou no país naqueles anos. A música Cálice (1973), de Chico Buarque e Gilberto Gil, tem na palavra título uma ambigüidade, na associação de Cálice com cale-se. É mais um exemplo de letra contra a censura, composta em parceria pelos dois grandes compositores, para ser apresentada ao público em um show da gravadora Polygram, da qual eram contratados. No dia do show, desligaram os microfones no momento dos dois cantarem Cálice, impedindo a apresentação. A análise desta musica, faz compreender o clima da cidade, o sentimento das pessoas que protestavam, e a visão de que melhor seria viver fora da lei, contra o regime militar do que se submeter a uma lei injusta e uma realidade falsa, com propagandas que transmitiam a idéia de um “milagre econômico”.
Essa parte da música é bem clara com relação ao sentimento de impotência diante da ação do sistema ditador, considerando que o próprio Chico Buarque foi retirado da cama as 07h00minh da manhã. Esse trecho é necessário, buscar entender o propósito do monstro da lagoa, um ser mitológico, que vive imerso em águas escuras, aterrorizando o imaginário do ser humano.
Essa música é um documento perfeito a trabalhar em sala de aula, a forma como ela descreve o sistema ditatorial, a corrupção e a ineficiência que segundo o compositor, impedia o sistema de funcionar. Sobretudo, relacionado aos censores, e os critérios que utilizavam para cortar e censurar as obras, muitas vezes obscuros.
Essa parte da música é forte, pois é quando expressa o desejo de despertar da limitação imposta, e em reposta se diz “cale-se” ou cálice. E outra parte ainda dando ênfase a Bíblia, quando faz uso do fato consumado, ou do pecado. A música expressa que a vida não é um fato consumado, que a situação pode ser mudada. Defende ainda a idéia de ter liberdade de tomar suas próprias decisões, pagar por seus erros cometidos, seguir sua noção de certo e errado e se libertar das idéias impostas pela ditadura e em reposta ouve um “cale-se”. O final ainda é marcante, fazendo analogia à tática de tortura usada pela ditadura com a finalidade de calar


96- Apesar de você - Chico Buarque
Composição: Chico Buarque

(Crescendo) Amanhã vai ser outro día x 3
Hoje você é quem mandaFalou, tá falado
Não tem discussão, não.A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.
(Coro)
Apesar de você amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimentoVou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Para conversar:

A censura não conseguiu silenciar a revolta de Chico Buarque. Mas abafaram por completo os protestos de compositores como o uruguaio Taiguara Chalar da Silva (1945 – 1996), que entrou nos anos 70 com fome de política, o que causou conseqüências desastrosas. Foi perseguido pela censura, teve mais de 60 músicas vetadas e, sem dinheiro, endividado abandonou o país só retornando em 76 e teve um álbum proibido, assim deixou o país e só retornou no fim do regime militar. (26/04/2010).
Em 1973, a música descreveu uma trajetória que, durante todo o período do regime militar, não poupava ninguém: ameaçava ídolos da MPB. No entanto, os compositores relembram dos acontecimentos, das ameaças e das perseguições que sofreram pouco lembradas pelos livros didáticos.
 em 1972, a música “Apesar de você”, significou um grito em meio à ditadura, considerada por alguns críticos como um hino contra a ditadura militar, com letras direcionadas ao Presidente Médice e que criticam o AI5.
 ao abordar a questão da falta de liberdade de expressão, sobre a introdução do AI5 na lei, e como a lei era posta em pratica sem que houvesse direito a habeas corpus
O coro é a parte onde o compositor expressa o otimismo, argumentando sobre a possibilidade de mudanças sobre o momento em que a voz fosse impossível de conter. O galo pode ser uma analogia ao momento em que nasce o novo dia e o galo canta, ou seja, quando as mudanças acontecerem e o censura não puder controlar a voz.
Aqui o compositor parece acreditar que a justiça vai ser feita, e que os crimes políticos, as práticas seriam julgadas e condenadas.
A música ainda afirma que o momento de mudança vai chegar, e que as coisas vão acontecer sem que o presidente possa controlar e que o tempo está próximo.
A liberdade da imprensa, dos artistas, dos compositores expressando sua opinião e discursando abertamente.


97-Sociedade Alternativa - Raul Seixas
Composição: Paulo Coelho / Raul Seixas

Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa(Viva! Viva!)
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa(Viva O Novo Eon!)
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa(Viva! Viva! Viva!)
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa...
Se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou esperar Papai Noel
Ou discutir Carlos Gardel
Então vá!Faz o que tu queres
Pois é tudo
Da Lei!
Da Lei!
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa...
"-Faz o que tu queres
Há de ser tudo da Lei
"Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa"
-Todo homem, toda mulher
É uma estrêla
"Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa(Viva! Viva!)
Viva! Viva!Viva A Sociedade AlternativaHan!...
Mas se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou discutir Carlos Gardel
Ou esperar Papai Noel
Então vá!Faz o que tu queres
Pois é tudoDa Lei! Da Lei!
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa...
"-O número 666Chama-se Aleister Crowley
"Viva! Viva!Viva! A Sociedade Alternativa
"-Faz o que tu queres
Há de ser tudo da lei
"Viva! Viva!Viva! A Sociedade Alternativa"
-A Lei de Thelema
"Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa
"-A Lei do forteEssa é a nossa lei
E a alegria do mundo"
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa(Viva! Viva! Viva!)...

BREVE COMENTÁRIO

Essa música um sociedade alternativa, buscando romper com as normas sociais, cultuando uma "sociedade anárquica". A sociedade alternativa nada mais é doque o livre arbitrio, ou seja, você faz o que quer a de ser tudo da lei, porém é bom lembrar que tudo o que o homem plantar ele colhera. Raul Seixas além de músico era um grande filósofo e tinha grandes influências de Aleiter Crowley, mago, hedonista, usuário recreacional de drogas, e crítico social que tinha essa filosofia: “Faz o que tu queres há de ser. Tudo da lei, da lei. Todo homem, toda mulher é uma estrela”.



98-Música: Classe Média - MAX Gonzaga

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em Moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

BREVE COMENTÁRIO

Nessa música é possível identificar uma crítica ao comportamento da classe média quanto sua imparcialidade dos problemas que afetam a classe de baixo status. É igualmente possível observar uma crítica a mídia.



99-A fábula - Engenheiros do Hawaii

Era uma vez um planeta mecânico,
lógico, onde ninguem tinha dúvidas
havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
até o pôr-do-sol sobre o mar era um gráfico
adivinhar o futuro não era coisa de mágico
era um hábito burocrático, sempre igual
explicar emoções não era coisa ridícula
havia críticos e métodos práticos
cá pra nós, tudo era muito chato
era tudo tão sensato, difícil de aguentar
todos nós sabiamos de cor
como tudo começou e como iria terminar
mas de uma hora pra outra,
tudo o que era tão sólido desabou, no final de um século
raios de sol na madrugada de um sábado radical
foi a pá de cal, tão legal
não sei mais de onde foi que eu vim
por que é que estou aqui, para onde eu irei
cá pra nós, é bem melhor assim
desconhecer o início e ignorar o fim da fábula.

BREVE COMENTÁRIO:

Nesta música é possível observarmos uma crítica ao comportamento social, isso por ele ser previsível e coletivo, características dos Fatos Sociais.
Outra abordagem possível é discutir a corrente sociológica que interpreta a sociedade como uma espécie de engrenagem, corrente essa denominada funcionalista.


100-O Haiti - Caetano Veloso

Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Breve comentário:

A música acima apresenta diversos enfoques possíveis.
A primeira possibilidade é analisar a discriminação racial e social;
Outra possibilidade é avaliar a noção de justiça/injustiça;
O ponto interessante para uma possível abordagem sociológica é discutir o fato de estranharmos o que é de fora, talvez por isso os compositores pensaram em falar de um Haiti que é aqui, ou seja, utilizou um lugar distante para parodiar uma realidade de ambos os países (Haiti e Brasil).

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