SUGESTÕES DE MÚSICAS E PARÓDIAS PARA A ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS, DE LINGUAGEM E CIÊNCIAS NATURAIS E EXATAS

1-    Navio negreiro  -  O Rappa   -    aborda a discriminação racial

Todo Camburão tem um pouco de Navio Negreiro.
Tudo começou quando a gente conversava
Naquela esquina alí
De frente àquela praça
Veio os homens
E nos pararam
Documento por favor
Então a gente apresentou
Mas eles não paravam
Qual é negão? qual é negão?
O que que tá pegando?
Qual é negão? qual é negão?
É mole de ver
Que em qualquer dura
O tempo passa mais lento pro negão
Quem segurava com força a chibata
Agora usa farda
Engatilha a macaca
Escolhe sempre o primeiro
Negro pra passar na revista
Pra passar na revista
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
É mole de ver
Que para o negro
Mesmo a aids possui hierarquia
Na áfrica a doença corre solta
E a imprensa mundial
Dispensa poucas linhas
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Ou das colunas sociais
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Questões que podem ser analisadas:

* Você acha que essas cenas são comuns em nosso país? Por quê?
* Descreva com suas palavras a situação relatada no rap?
* O que significa a frase: “Mesmo a AIDS possui hierarquia”?
* Escreva um parágrafo explicando o título do texto dessa letra.
* A escravidão no Brasil foi definitivamente abolida em 13 de maio de 1888, através de um decreto da princesa Isabel. No entanto, a abolição não transformou os recém- libertos em cidadãos… Por quê? Poderia ter sido diferente? Explique .


2-    Agnus Sei  -  (Elis Regina)
Bosco & Blanc

Faces sob o sol, os olhos na cruz
Os heróis do bem prosseguem na brisa na manhã
Vão levar ao reino dos minaretes
A paz na ponta dos arietes
A conversão para os infiéis
Para trás ficou a marca da cruz
Na fumaça negra vinda na brisa da manhã
Ah, como é difícil tornar-se herói
Só quem tentou sabe como dói
Vencer Satã só com orações
Á andá pa Catarandá que Deus tudo vê
Á andá pa Catarandá que Deus tudo vê
Á anda, ê hora, ê manda, ê mata,
Responderei não!
Dominus dominium juros além
Todos esses anos agnus sei que sou também
Mas ovelha negra me desgarrei
O meu pastor não sabe que eu sei
Da arma oculta na sua mão
Meu profano amor eu prefiro assimá nudez
sem véus diante da Santa-Inquisição
Ah, o tribunal não recordará
Dos fugitivos de Shangri-Lá
O tempo vence toda a ilusão.

       Para conversar:

A princípio é necessário situar os alunos no tempo, isto é, explicar o que foi a Idade Média mesmo que em termos gerais, onde deve constar a estratificação social (Clero, Nobreza e povo), o feudalismo em si, a diferença entre servidão e escravidão e a predominância da religião no aspecto ideológico geral. Antes mesmo de apresentar a música, numa aula anterior, eu sempre passava o filme “O Exército Brancaleone”, para que os alunos pudessem visualizar o gestual, as roupas, a alimentação, a ordem e o ideal de cavalaria.
Ainda antes da apresentação era feito um histórico geral das Cruzadas, informando que foi um movimento não apenas religioso (pano de fundo), mas geopolítico, onde os cristãos ocidentais procuravam conquistar terras e riquezas no Oriente Médio, tendo como motivação ideológica a libertação da cidade sagrada de Jerusalém, que naquele momento estava em mãos muçulmanas. A primeira cruzada data do século XI, mais precisamente 1096 e prosseguiu em várias ondas até meados do século XV. Houve várias cruzadas, como a Cruzada das Crianças, por exemplo.
          Ao apresentar a música, praticamente eu explicava a etimologia de algumas palavras. Na verdade, a letra e a música podem até mesmo ser encenadas. Eu diria que poderia ser feita uma pequena dramatização do texto. Por exemplo, a frase “Faces sob o sol, os olhos na cruz”, mostra a determinação dos cruzados em sua missão.
          Em “Vão levar ao reino dos minaretes a paz na ponta dos aríetes. A conversão para os infiéis”, há um prato cheio. Vejamos: Minarete (explicar o que é – um símbolo (torre) do islamismo, onde os muçulmanos são convocados por cânticos a orar). Depois a palavra ARIETE (Instrumento de guerra utilizado para invadir fortificações e portões) é explicada com seu sentido etimológico, derivando de Ares ou Áries (carneiro). Não era necessariamente a forma de um carneiro que havia em uma extremidade, mas o instrumento de guerra tomou este sentido devido os carneiros baterem as cabeças contra seus adversários. Conseqüentemente, os infiéis muçulmanos, seriam derrotados e a fé cristã prevaleceria.
          Em “Ah, como é difícil tornar-se herói. Só quem tentou sabe como dói. Vencer Satã só com orações”. É muito claro que foi necessário “pegar em armas” para que a fé cristã fosse levada aos infiéis e assim, ao combatê-los, quando da morte de um cristão, o reino dos céus estaria com sua vaga reservada para esta alma, que lutou até a morte contra o inimigo da fé e também contra o demônio. No caso da letra da música, parece mais que é uma luta contra os demônios interiores, quando a ordem era matar o infiel e o cruzado se nega “Ê anda, ê hora, ê manda, ê mata, responderei não!”
          Em “Dominus dominium juros além”, podemos ver que a palavra Dominus significa Senhor, que tanto pode ser um senhor feudal ou Deus. Neste ponto eu aproveitava para falar do conceito de vassalagem e suserania. Dominus dominium tem um sentido de poder total sobre alguém que se submete como vassalo a um suserano que o protegerá. Havia todo um cerimonial para a “homenagem” e a “investidura”. Os “juros além”, eu aproveitava para falar que a conta seria paga no céu, de acordo com as “boas ações” praticadas pelos fiéis, e também falava sobre o pecado da usura, já puxando um gancho para nas aulas seguintes, falar sobre a Reforma.
          A citação à Inquisição mostra bem a hipocrisia em que esta instituição estava fundamentada. Novamente era explicado o conceito e as formas pelas quais a Inquisição fazia valer os preceitos cristãos. E o tribunal que se esquece de quem fugiu do Paraíso (Shangri-Lá) é a memória que se perde como o tempo e a ilusão de ser herói para alcançar a glória numa vida celestial.


3-    Ditadores  (Zé Geraldo) – tema: Ditadura militar no Brasil 

Quanto mais eu conheço os ditadores
Mais eu amo meu cachorro (4 vezes)
Confinam as cabeças pensantes em campos gelados
A corrupção é cria do homem
Que está por todo lado
Aumentam pedágios, escolas, dru
200% de aumento no IPTU
tamos nu.

Aprovam os decretos
 por decurso de prazo
Botam os velhos nas filas
Mas isso não vem ao caso
Os negros, os índios,
 os demais sem terra
Deixa pra depois
Uma boa ajuda aos contras
Para equilibrar as baixas
Debita isso tudo no caixa dois
Ora, pois.

Mete fogo na mata, mata o bicho
Jogam o lixo atômico
No fundo de qualquer quintal
Não faz mal.


4-     Era um garoto que como eu amava os Beatles e Rolling Stones
tema: Guerra do Vietnã –

Era um garoto que, como eu,
Amava os Beatles e os Rolling Stones
Girava o mundo sempre a cantar
As coisas lindas da América
Não era belo, mas mesmo assim
Havia mil garotas a fim
Cantava Help na Ticket to ride
Oh! Lady Jane and Yesterday
Cantava viva à liberdade
Mas uma carta sem esperar
Da sua guitarra o separou
Fora chamado na América
Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
Mandado foi ao Vietnã
Lutar com vietcongues.

Tatá- ratatatá, Tatá- ratatatá ...

Era um garoto que, como eu,
Amava os Beatles e os Rolling Stones
Girava o mundo, mas acabou
Fazendo a guerra do Vietnã
Cabelos longos não usa mais
Não toca sua guitarra e sim
Um instrumento que sempre dá
A mesma nota rata-tatá
Não tem amigos
Não vê garotas
Só gente morta caída ao chão
Ao seu país não voltará
Pois está morto no Vietnã
Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
No peito um coração não há
Mas duas medalhas sim

Tatá- ratatatá, Tatá- ratatatá ...


5-     Homem primata  (Titãs)  - Sobre o capitalismo

Desde os primórdios até hoje em dia
O homem ainda faz
O que o macaco fazia
Eu não trabalhava
Eu não sabia
O homem criava e também destruía.

Homem primata
Capitalismo selvagem ô, ô, ô

Eu aprendi a vida é um jogo
Cada um por si
E Deus contra todos
Você vai morrer e não vai pro céu
É bom aprender a vida é cruel.

Eu me perdi na selva de pedra
Eu me perdi
Eu me perdi ...


6-    Imagine (Paulo Ricardo)  de John Lennon – sobre a Guerra Fria

Esqueça os seus problemas, é só você tentar
Por um momento apenas procure imaginar
E acreditar no sonho de um mundo melhor.
Esqueça a guerra e a fome e toda a confusão
Causada pelo homem e sua ambição
Esqueça e imagine todo o mundo em paz ...
Eu não sei pode ser, que eu seja um sonhador
Mas se você quer saber, o caminho é o AMOR.
Hei,
Esqueça o que foi dito e o que você já ouviu
O que foi prometido e que ninguém cumpriu
Esqueça e imagine o que você quiser
Eu não sei pode ser, que eu seja um sonhador ...
Mas se você quer saber, o caminho é o AMOR.


7-    O profeta - Zé Geraldo  -   tema: valores, a prática do bem etc. -

O dia vai chegar estou me preparando
Porque ante vi, no livro que lhe empresto
E você não aceita a verdade eu li
Existe tanta gente por aí as tontas
Sem se definir, na hora da balança
O peso não alcança oque deve atingir.

Ei homem de Deus acorda é tempo ainda
Eis que o teu tempo finda faz uma oração
Ei homem de Deus deixa a incoerência
Em sua conferência fale de perdão.

Quem você não conhece
Aqui vai conferir se você passa ou não
Esqueça o seu padrinho
Pois lá não tem carta de apresentação
O que vai influir é o bem que você fez
Ou deixou de fazer existe em cada estante
Um livro importante evocê não quer ler.

Quem sabe se o juiz não foi algo de risos
Quando aqui passou
Sofrendo a indiferença, pagando tributos
Da classe ou da cor
Quem sabe se você não vai se ver chorando
 A mais tirana dor e implorar baixinho
Aquela mesma ajuda que você negou.
A vida é uma escola onde o viver é o livro
E o tempo o professor
Onde alguns são sábios, porém até hoje
Ninguém se formou
A única certeza é que o dia do acerto
Já está prá vir, prepare a sua alma
Pois na hora certa você vai ouvir.
O som de um instrumento
Que não se afina ao diabasão
Virá anunciando, sem segundo aviso
 A hora da razão
Estou me reparando, estou lhe aconselhando
Porque quero ir
Você se nega a ler erroneamente crê
Que a vida é só aqui !

8-    Questões sociais - Menino de rua (Zezé di Camargo e Luciano)

Você que está aí parado vendo televisão
De repente uma notícia forte te chama a atenção
Uma cena estúpida, brutal e cruel
Mais ainda parece tão pouco pra mudar seu coração
Eu sou o personagem central de toda essa história
História que você ignora e faz que não vê
E escuta o seu consciente
A vontade de um povo que luta
E sofre pra sobreviver.

Você tem em suas mãos a força e o poder
Mas não tem a sabedoria pra entender
Que o Brasil é a sua pátria acima de tudo
E o povo precisa de luz pra sair desse escuro.

Eu sou muito pequeno perante você
Eu sou apenas pedaços
De alguém tão comum
Eu sou a ignorância da cabeça sua
Simplesmente sou, mais um garoto de rua.


9-    Meu Brasil - Gian & Giovani

Uma luz brilhou no céu
sobre as caravelas que vieram do alto mar
E o sinal daquela luz
deu ao navegante a direção de "Vera Cruz"

Foi assim que começou a nossa história
há quinhentos anos, dia vinte e dois de abril
O passado está presente na memória
mas a porta do futuro já se abriu

Meu Brasil, (Meu Brasil)
verde de eterna esperança
branco de paz de criança,
azul e amarelo de céu e de sol

Meu Brasil, (Meu Brasil)
você tem um grande destino
embora ainda seja um menino
já é no planeta o país do futebol

Hey Brasil, (Hey Brasil)
táí o terceiro milênio
pra nós o seu oxigênio
é mais que um orgulho profundo

Hey Brasil, (Hey Brasil)
seu lema é vencer ou vencer
aposto que você vai ser
a maior nação desse mundo

Meu Brasil, (Meu Brasil)
verde de eterna esperança
branco de paz de criança,
azul e amarelo de céu e de sol

Meu Brasil, (Meu Brasil)
você tem um grande destino
embora ainda seja um menino
já é no planeta o país do futebol

Hey Brasil, (Hey Brasil)
táí o terceiro milênio
pra nós o seu oxigênio
é mais que um orgulho profundo

Hey Brasil, (Hey Brasil)
seu lema é vencer ou vencer
aposto que você vai ser
a maior nação desse mundo

Foi assim que começou a nossa história
há quinhentos anos, dia vinte e dois de abril
O passado está presente na memória
mas a porta do futuro já se abriu!


10- Música: Sorriso Negro – Elimar Santos

Um sorriso negro,
um abraço negro
Traz....felicidade
Negro sem emprego,
fica sem sossego
Negro é a raiz da liberdade 2 X
..Negro é uma cor de respeito
Negro é inspiração
Negro é silêncio, é lutonegro é...a solução
Negro que já foi escravo
Negro é a voz da verdade
Negro é destino é amor
Negro também é saudade...
(um sorriso negro !)

Atividade:

           No primeiro momento ouvimos a música Sorriso Negro, cantamos juntos. Os alunos empolaram-se e pediram para dançar, o que foi feito de maneira muito prazerosa. Passado o momento de descontração, fomos para a analise da letra da música. Foi um momento muito rico, onde pude perceber o nível de conhecimento das questões relacionadas à raça negra. Nesta analise surgiram elementos como: a escravidão no Brasil, os preconceitos, o trabalho negro no passado e no presente, desigualdades, descriminação racial, poder, riqueza X miséria, etc.
           No segundo momento, passamos a um trabalho de grupos para que os alunos pudessem colocar suas certezas e dúvidas em relação ao Continente Africano. Concluído os trabalhos dos grupos, passamos a construção de um painel coletivo com as certezas e duvidas de toda a turma. Este foi um momento bem especial, onde cada um pode colocar-se diante da classe, expondo suas certezas, suas duvidas e podendo compará-las com as dos colegas
          No terceiro momento a turma foi dividia em duplas. Cada dupla ficou encarregada de realizar as pesquisas sobre o assunto escolhido entre os temas propostos: África: O berço da Humanidade; História da África; África - aspectos físicos; Economia da África; População da África; África, a geografia da África etc.
          Diversidade num Continente; Africanos enriqueceram a cultura brasileira; O Apartheid; Para conviver em um ambiente de diversidade; Segregação Racial ; Negros no Brasil; Curiosidades sobre a África, Ser negro no Brasil.
          Neste momento o desafio dado a cada dupla foi que registrassem as suas descobertas em formato de uma revista. O envolvimento na atividade proposta foi surpreendente! Além dos textos relacionados ao temas específicos de cada dupla, foram produzidos: Poemas, Charges, Jogos, Horóscopo; Paródias. Passa tempo e belas ilustrações que mostram a compreensão dos elementos pesquisados sobre o Continente Africano.
          No quarto momento, assistimos pequenos documentários sobre aspectos diversos da África: África: Mundo de Contrastes; África – Miséria; África - consciência mundial; A violência e a fome; Nosso Mundo X África; Uma Imagem vale mais de mil palavras.
          Após o vídeo, voltando à sala de aula, numa mesa redonda, cada aluno pode expressar seus sentimentos. O que presenciei foi manifestação de indignação, de criticas, de solidariedade e vontade de modificar a realidade tão cruel de parte da população africana. Para complementar essa atividade, a turma fez uma produção de texto com tema: “Uma imagem vale mais que mil palavras”.
          Quinto momento, o da apresentação da revista com as descobertas realizada através da pesquisa. Pretendi que este momento fosse também significativo e dinâmico.
Para a apresentação, fomos a sala de vídeo, conectei a câmara na televisão e cada dupla passou a apresentar seu trabalho. Os alunos não desgrudavam o olho da tela para ver as imagens produzidas pelos colegas. Foi divertido, diferente e prazeroso.


11- A Cor De Deus - Banda Mel
Composição: Luiz Carlos-branca Di Neve-mazinho Xerife

Você sabe a cor de deus
Quem sabe não revela,a,a,
O,o,o,o,o,o, vamos dizer
O,o,o,o,o,o, vamos dizer
Em vez do apartheid,
Aperta a mão do negro
O negro tem direito de viver
Negro é amor, negro é a paz
Não quer a guerra
O negro também dessa terra
O seu sentimento, é como um lamento
Que leva aos quatro cantos
O canto do sofrimento
Fraternidade,igualdade,liberdade
O negro quer o universo
Cheio de felicidade
Na áfrica tem negro com sofrimento
Aqui também o negro, tem seu lamento
No mundo inteiro o negro
Tem o seu sentimento


12- Portela - Samba Enredo 1972

Ilu Ayê, Ilu Ayê Odara
Negro dançava na Nação Nagô
Depois chorou lamento de senzala
Tão longe estava de sua Ilu Ayê
Tempo passou ôô
E no terreirão da Casa Grande
Negro diz tudo que pode dizer
É samba, é batuque, é reza
É dança, é ladainha
Negro joga capoeira
E faz louvação à rainha
Hoje
Negro é terra, negro é vida
Na mutação do tempo
Desfilando na avenida
Negro é sensacional
É toda a festa de um povo
E dono do carnaval


13- Nas Veias do Brasil - Beth Carvalho
Composição: Luiz Carlos da Vila

Os negros
Trazidos lá do além-mar
Vieram para espalhar
Suas coisas transcendentais
Respeito
Ao céu, à terra e ao mar
Ao índio veio juntar
O amor, à liberdade
A força de um baobá
Tanta luz no pensar
Veio de lá
A criatividade

Tantos o preto velho já curou
E a mãe preta amamentou
Tem alma negra o povo
Os sonhos tirados do fogão
A magia da canção
O carnaval é fogo
O samba corre
Nas veias dessa pátria - mãe gentil
É preciso altitude
De assumir a negritude
Pra ser muito mais Brasil.


14- Samba Enredo 1994 - Quando o Samba Era Samba Portela (RJ)
Composição: Wilson Cruz, Cláudio Russo, Zé Luiz

África encanto e magia
Berço da sabedoria
Razão do meu cantar
Nasceu a liberdade a ferro e fogo
A Mãe Negra abriu o jogo
Fez o povo delirar
Deixa falar, ô, ô, ô
Deixa falar, ô, iaiá
Esse batuque gostoso não pode parar
Entra na roda ioiô
Entra na roda iaiá
Lá vem Portela é melhor se segurar
Axé vem de Luanda
Sacode negritude da cidade
Trazendo a bandeira do samba
Na apoteose da felicidade
Samba é nó na madeira
É moleque mestiço
Foi preciso bancar
Resistência que a força não calou
Arte de improvisar
Capoeira
O samba vai levantar poeira
Tem zoeira
Em Oswaldo Cruz e Madureira


15- Racismo É Burrice (nova Versão De Lavagem Cerebral)    -   Gabriel Pensador
Composição: Gabriel O Pensador

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral

Racismo é burrice

Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral

Racismo é burrice

Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral

Racismo é burrice

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice

Racismo é burrice

E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.


16- Raça Negra   -  Margareth Menezes
Composição: Jorge Zarath, Dito

O grito da terra se expande por todo o Universo
No verso da mão calejada que afaga o rebento
O amor relampeja quebrando a semente da guerra
Sagrada é a força da Terra brilhando num só pensamento
Olorum mandou botar
Um presente pra Iemanjá
Colocar no mar do amor
Pra saudar seu ganzuá
Mãe Oxum me batizou
Com a benção de Oxalá
É felicidade é com,oh yeah
Raça Negra,Raça Negra
Raça Negra,Raça Negra
Sou erê,sou mandinga,sou manhã
Sou dendê,afilhada de Yansã
Sou café,cana-verde,que beleza
Raça Negra!
Sou de paz,sou axé,sou natureza
Raça Negra,Raça Negra
Raça Negra,Raça Negra
Aiá,aiá,aiá...
Aiê,iê,aiá,aiê,aiê...


17- Beleza pura     -    Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso

não me amarra dinheiro não
mas formosura
dinheiro não
a pele escura
dinheiro não
a carne dura
dinheiro não

moça preta do curuzu
federação
boca do rio
beleza pura
beleza pura
beleza pura
dinheiro não

quando essa preta começa a tratar do cabelo
é de se olhar
toda a trama da trança da transa do cabelo
conchas do mar
ela manda buscar pra botar no cabelo
toda minúcia, toda delícia

não me amarra dinheiro não
mas elegância
não me amarra dinheiro não
mas a cultura
dinheiro não
a pele escura
dinheiro não
a carne dura
dinheiro não

moço lindo do badauê
beleza pura
do ilê-aiê
beleza pura
dinheiro iê
beleza pura
dinheiro não

dentro daquele turbante dos filhos de gandhi
é o que há
tudo é chique demais, tudo é muito elegante
manda botar
fina palha da costa e que tudo se trance
todos os búzios
todos os ócios

não me amarra dinheiro não
mas os mistérios

beleza pura
dinheiro não
beleza pura
boca do rio
beleza pura
federação
beleza pura
o ilê-aiê
beleza pura
e do badauê
beleza pura


18- Alma Não Tem Cor   -   Chico César
Composição: André Abujamra

Alma não tem cor
Porque eu sou branco?
Alma não tem cor
Porque eu sou negro?

Branquinho
Neguinho
Branco negão
Percebam que a alma não tem cor
Ela é colorida
Ela é multicolor

Azul amarelo
Verde verdinho marrom



19- Respeitem Meus Cabelos Brancos   -   Chico César
Composição: Chico César

Respeitem meus cabelos, brancos
Chegou a hora de falar
Vamos ser francos
Pois quando um preto fala
O branco cala ou deixa a sala
Com veludo nos tamancos

Cabelo veio da áfrica
Junto com meus santos

Benguelas, zulus, gêges
Rebolos, bundos, bantos
Batuques, toques, mandingas
Danças, tranças, cantos
Respeitem meus cabelos, brancos
Se eu quero pixaim, deixa
Se eu quero enrolar, deixa
Se eu quero colorir, deixa
Se eu quero assanhar, deixa
Deixa, deixa a madeixa balançar



20- Meu Pai Oxalá  -   Daniela Mercury
Composição: Vinícius de Moraes/ Toquinho

Atotô abaluyê
Atotô babá
Vem das águas de Oxalá
Essa mágoa que me dá
Ela parecia o dia
A romper da escuridão
Linda no seu manto todo branco
Em meio à procissão.
E eu que ela nem via,
Ao Deus pedia amor e proteção:
Meu pai Oxalá é o Rei,
Venha me valer
E o velho Omulu
Atotô abaluayê
Que vontade de chorar
No terreiro de Oxalá
Quando eu dei com a minha ingrata
Que era filha de Yansã
Com sua espada cor de prata
Em meio à multidão
Cercando Xangô num balanceio
Cheio de paixão
Meu pai Oxalá é o rei
Venha me valer
E o velho Omulu
Atotobaluaiê



21- Milagres do Povo    -    Daniela Mercury

Quem é ateu
E viu milagres como eu
Sabe que os Deuses sem Deus
Não cessam de brotar,nem cansam de esperar

E o coração
Que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão
Não cabe no seu não
Não cabe em si, de tanto sim
É pura dança e sexo e glória
E paira para além da história

Refrão:
Oju obá ia lá e via
Oju obá ia

Xangô manda chamar, Obatalá guia
Mamãe Oxum chorar, lágrima alegria
Pétala de Iemanjá, Inasã oiá ria
Oju obá ia lá e via
Ojú obá ia
Obá

É no charéu, que brilha a prata luz do céu
E o povo negro entendeu
Que o grande vencedor
Se ergue além da dor

Tudo chegou
Sobrevivente num navio
Quem descobriu o Brasil
Foi o negro que viu
A crueldade bem de frente e ainda produziu milagres
De fé no extremo ocidente

Refrão:

Oju obá ia lá e via
Oju obá ia

Xangô manda chamar, obatalá guia
Mamãe oxum chorar, lágrima alegria
Pétala de iemanjá, inasã oiá ria
Oju obá ia lá e via
Ojú obá ia
Obá

(Obáááá...)



22- No Tabuleiro Da Baiana   -   Daniela Mercury
Composição: Ary Barroso

No tabuleiro da baiana tem
Vatapá, oi
Caruru
Mungunzá
Tem umbu
Pra ioiô
Se eu pedir você me dá
O seu coração
Seu amor de iaiá

No coração da baiana tem
Sedução
Canjerê
Ilusão
Candomblé
Pra você

Juro por Deus
Pelo senhor do Bonfim
Quero você, baianinha, inteirinha pra mim
E depois o que será de nós dois
Seu amor é tão fulgáz, enganador

Tudo já fiz
Fui até num canjerê
Pra ser feliz
Meus trapinhos juntar com você
E depois vai ser mais uma ilusão
No amor quem governa é o coração

No tabuleiro da baiana tem
Vatapá, oi
Caruru
Mungunzá
Tem umbu
Pra ioiô
Se eu pedir você me dá
O seu coração
Seu amor de iaiá

No coração da baiana também tem
Sedução
Canjerê
Ilusão
Candomblé
Pra você



23- Preto  e  Branco    -    Daniela Mercury
Composição: Dudu Fagundes / Santos Diniz

Sou amarrado nessa pele escura
Na sua cultura
Em sua formosura
Mas no final tudo é uma só mistura
A mesma estrutura
Isso é beleza pura
E baseado nessa ideologia
Que a nossa magia pode aí se explicar
A europa , a africa e a bahia
Têm a alegria
De aqui se misturar
Preto
E todo mundo aqui é branco e preto
E todo mundo aqui é branco e preto
E todo mundo aqui é preto e branco
preto
E todo mundo aqui é branco e preto
E todo mundo aqui é branco e preto
E todo mundo aqui é preto e branco



24- Canto da Cor - Reflexus
Composição: Moises e Simão

A simbolização do negro africano
Recorda o manto sofrido hargalo de dor
O negro batendo na palma da mão
Este canto
Este canto é a sua origem e cintila a cor
Ilê Aiyê ê ê
É a nossa cor
Negro a dizer é a nossa cor
ôhô ôhô ôhô
ôhô
ehê ehê ehê
ehê
O negro se farta do fruto da sua beleza
Atribui-se tambem a ele esta sua grandeza
Ilê Aiyê
Sendo a propria razão
Que a razao nao pode explicar
Ecoa-se ate o firmamento
Este nosso cantar
Ilê Aiyê ê ê
É a nossa cor
Negro a dizer é a nossa cor
ôhô ôhô ôhô
ôhô ehê ehê ehê ehê



25- Canto Para o Senegal   -   Reflexus
Composição: Ythamar Tropicália e Valmir Brito

Sene sene senegal
Sene sene senegal
Diz povão senegal região
Diz povão senegal região
Diz povão senegal região

A grandeza do negro
Se deu quando houve este grito infinito
E o muçulmanismo que contagiava como religião
Ilê-aiyê traz imensas verdades ao povo fulani

Senegal faz fronteira com Mauritânia e Mali
Os seres ê ê ê, a tribo primeira que simbolizava
Salum, gâmbia, casamance, seus rios a desembocar
Mandigno, tukuler, uolof, são os povos negros

E uma das capitais mais lindas hoje se chama dakar, ilê
Ilê ê ê ê, dakar á á, obatala ago iê ê ê ê
Esses são os meus sentimentos do nosso antepassado
Senegal narrado como tema ilê aiyê

sene, sene, sene, sene, senegal
diz povão, senegal região
ê ahê, ahê
á, ia, iê

Baol reino de lá
Hamba-kalo povo de dakar
Negros ilê-aiyê avançam pelas ruas centrais da cidade
Senegalesas mulheres vaidosas mostrando intensidade

Incorporadas num só movimento na dança frenética do carnaval
Caolak, rufisque, zinguichor, são as cidades do senegal
Ilê-aiyê ê ê... está nos torsos, nas indumentárias africanas
Lingüisticamente o francês na dialética união baiana

Baobás árvore símbolo da nação
dos deniakes, os berberes, dinastia da região, ilê...
ilê ê ê ê, dakar á á á, obatalá, ago iê, ê ê ê...
esses são os meus sentimentos do antepassadoaval
Caolak, Rufisque, Zinguichor, são as cidades do Senegal
Ilê Ayiêêê esta nos torsos, nas indumentárias africanas
Lingüisticamente o francês na dialética união baiana
Baobás, árvore símbolo da nação
Dos deniakes, os Berberes, dinastia da região, ilê
Ilêêê, Dacar, obatalá, agô iêêê
Esses são os meus sentimentos do nosso antepassado

26- Dialeto Negro   -   Reflexus
Composição: Valmir Brito e Gibi

Mamêtro Kavisó
De umbanda
Umbanda gira gira
Azulê no abanto

Ungagá zara tempo
Sambangola de mucaia
Sequê sequê dandalunda
Agorigê meu atotó

Agolónan Godemá nagô
Agonilê Agonilê
ê carnaxe ara
Ara mogibi
Mogibi mocualê babá
Ara vá
Mogibi mocualê babá

Ara vá



27- Libertem Mandela    -    Reflexus

Batalhas e conflitos
vítimas de sofrimentos
sou eu um negro bonito
desabafando meus sentimentos

De geração em geração
que é discriminado o negão
e hoje somos cultura
nosso grito de força é a nossa união

Tire o chapéu e levante a mão
Tire o chapéu e levante a mão
Diga não ao Apartheid e liberte Mandela
Nosso grande irmão
Madagascar Olodum
Reflexus
Criaram-se vários reinados
Ponto de Imerinas ficou consagrado
Rambozalama o vetor saudável
Ivato cidade sagrada
A rainha Ranavalona
Destaca-se na vida e na mocidade
Majestosa negra
Soberana da sociedade
Alienado pelos sues poderes
Rei Radama foi considerado
Um verdadeiro Meiji
Que levava seu reino a bailar
Bantos, indonésios, árabes
Se integram à cultura malgaxe
Raça varonil alastrando-se pelo Brasil
Sankara Vatolay
Faz deslumbrar toda nação
Merinas, povos, tradição
E os mazimbas foram vencidos pela invenção
êêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
E viva Pelô Pelourinho
Patrimônio da humanidade é
Pelourinho, Pelourinho
Palco da vida e das negras verdades
Protestos, manifestações
Faz o Olodum contra o Apartheid
Juntamente som Madagascar
Evocando liberdade e igualdade a reinar
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Aiêêê, Madagascar Olodum
Aiêêê, eu sou o arco–íris de Madagascar
Aiêêê, Madagascar Olodum
Aiêêê, eu sou o arco–íris de Madagascar
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor



28- Olodum Ologbom - Reflexus
Composição: Tita Lopes e Lazinho

Akewi Ati Onilu
Cantam e tocam para anunciar
Nubia, Axum e Etiópia
Olodum vem mostrar
Registrado pela história
Soberania momentânea
Menelik, rei Cabeb
Rastafari, Ei Ezana
A rainha do Sabá
Casou-se com o Rei Salomão
Originando a mista raça
São raízes do Sudão
A cultura sudanesa
Pelo mundo se espalhou
Fons, dogons, sereres, Haussás
Mossis, mandingas, ibôs, iorubás
Olodum do Pelourinho
Sempre contra a opressão
Busca paz e liberdade
Quer o mundo em união
ô ô ô
Ago Olodum Ti-de
Ibere ifé ati axé.



 29- Serpente Negra - Reflexus
Composição: (Ythamar Tropicália, Gibi, Roque Carvalho, Walmir Brito)

Ará Ará eu sou AraKetu
Ketu Ketu ode oba nixar
Kê Kê Kê leva eu
Kê Kê Kê AraKetu sou eu

Daomé nação de uma serpente negra
O rei manda lhe falar
O arco–íris ao se dissipar
Orixá maior é a força da natureza
Que representa Ketu nação
De um rei Olofin da atual República Beniin

No reino de Daomé
Serpente Negra era um babalaô
O arco-íris que vem lá do alto
Trás a força do superior

Ará Ará eu sou AraKetu
Ketu Ketu ode oba nixar
Kê Kê Kê leva eu
Kê Kê Kê AraKetu sou eu

O quadro negro
Representa na face da Terra
Hoje não existe mais guerra
A escravidão acabou ô ô
AraKetu retrato da tal mocidade
Representando o passado
E tudo que aqui ficou
Derramando nossos prantos de felicidade
Por ser essa tal entidade
Nomeada a Ode caçador
AraKetu força divina força maior
Ô ô ô ô ó ó ó ó ó
Pois o sangue desses negros
Derramavam na Terra
Para que os senhores passassem
Um tipo de vida melhor

Orá orá orá orá Orayê
Orá orá orá eis Oxumaré



30- Morro Velho   -  Milton Nascimento  
Composição: Milton Nascimento

No sertão da minha terra, fazenda é o camarada que ao chão sedeu
Fez a obrigação com força, parece até que tudo aquilo ali é seu
Só poder sentar no morro e ver tudo verdinho, lindo a crescer
Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada


Filho do branco e do preto, correndo pela estrada atrás depassarinho
Pela plantação adentro, crescendo os dois meninos, semprepequeninos
Peixe bom dá no riacho de água tão limpinha, dá pro fundo ver
Orgulhoso camarada, contra histórias prá moçada


Filho do senhor vai embora, tempo de estudos na cidade grande
Parte, tem os olhos tristes, deixando o companheiro na estaçãodistante
Não esqueça, amigo, eu vou voltar, some longe o trenzinho aodeus-dará
Quando volta já é outro, trouxe até sinhá mocinha práapresentar

Linda como a luz da lua que em lugar nenhum rebrilha como lá
Já tem nome de doutor, e agora na fazenda é quem vai mandar
E o seu velho camarada, já não brinca, mas trabalha



31-Raça – Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento/Fernando Brant

Lá vem a força, lá vem a magia
Que me incendeia o corpo de alegria
Lá vem a santa maldita euforia
Que me alucina, me joga e me rodopia
Lá vem o canto, o berro de fera
Lá vem a voz de qualquer primavera
Lá vem a unha rasgando a garganta
A fome, a fúria, o sangue que já se levanta
De onde vem essa coisa tão minha
Que me aquece e me faz carinho?
De onde vem essa coisa tão crua
Que me acorda e me põe no meio da rua?
É um lamento, um canto mais puro
Que me ilumina a casa escura
É minha força, é nossa energia
Que vem de longe prá nos fazer companhia
É Clementina cantando bonito
As aventuras do seu povo aflito
É Seu Francisco, boné e cachimbo
Me ensinando que a luta é mesmo comigo
Todas Marias, Maria Dominga
Atraca Vilma e Tia Hercília
É Monsueto e é Grande Otelo
Atraca, atraca que o Naná vem chegando



32- Reis e Rainhas do Maracatu
Milton Nascimento

Dentro das alas, nações em festa
Reis e rainhas cantar
Ninguém se cala louvando as glórias
Que a história contou
Marinheiros, capitães, negros sobas
Rei do congo, a rainha e seu povo
As mucamas e os escravos no canavial
Amadês senhor de engenho e sinhá
Traz aqui maracatu nossa escola
Do Recife nós trazemos com alma
A nação maracatu, nosso tema geral



33- Banho de Manjericão    -    Clara Nunes
Composição: João Nogueira-Paulo Cesar Pinheiro

Eu vou me banhar de manjericão
Vou sacudir a poeira do corpo batendo com a mão
E vou voltar lá pro meu congado
Pra pedir pro santo
Pra rezar quebranto
Cortar mau olhado

E eu vou bater na madeira três vezes com o dedo cruzado
Vou pendurar uma figa no aço do meu cordão
Em casa um galho de arruda que corta
Um copo dágua no canto da porta
Vela acesa, e uma pimenteira no portão

É com vovó Maria que tem simpatia pra corpo fechado
É com pai Benedito que benze os aflitos com um toque de mão
E pai Antônio cura desengano
E tem a reza de São Cipriano
E têm as ervas que abrem os caminhos pro cristão.



34- Brasil  Mestiço Santuário Da Fé
Clara Nunes

Vem desde o tempo da senzala
Do batuque e da cabala
O som que a todo povo embala 2x
E quanto mais o chicote estala
E o povo se encurrala
O som mais forte se propala 2x
E é o samba
E é o ponto de umbanda
E o tambor de Luanda
é o maculelê e o lundu
É o jogo do caxambu
É o cateretê, é o cõco e é o maracatu
O atabaque do caboco, o agogô de afoxé.
É a curimba do batucajé
É a capoeira e o candomblé
É a festa do Brasil mestiço, santuario da fé.
E aos sons a palavra do poeta se juntou
E nasceram as canççoes e os mais belos poemas de
amor.
Os cantos de guerra e os lamentos de dor
E pro povo não desesperar
Nós não deixaremos de cantar
Pois esse é o único alento do trabalhador
Desde a senzala....



35- Canto Das Três Raças   -   Clara Nunes
Composição: Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor

Para conversar:

Abordar elementos da cultura africana em suas aulas já é uma exigência. Por isso, evite preconceitos quanto a elementos das religiões afrobrasileiras, como a Umbanda e o Candomblé, que possuem elementos da religião Espírita.
Assim, não será necessário aprofundar nesses conhecimentos para que não se gere situações desagradáveis. Tome esses elementos de forma cultural, demonstrando a sua peculiaridade na MPB. Ao cantar sobre os orixás, intérpretes, como por exemplo Clara Nunes, amplia a divulgação e a desmistificação de preconceitos existentes.
Fale, para os alunos, sobre:
•    intolerância religiosa (cite guerras, crimes, atentados);
•    sincretismo cultural no Brasil (a grande mistura que forma a nossa cultura).
•    quem são as três raças citadas em uma das músicas (índio, negro, trabalhador)?


36- Ê Baiana - Clara Nunes
Composição: Fabricio da Silva/Baianinho/Enio Santos Ribeiro/Miguel Pancracio

Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana
Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba
Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba
Olha, toca a viola
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar
Toca a viola
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar

Ê baiana
Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana

Dinâmica:

Antes de iniciar as atividades, exiba para os alunos, dois vídeos que demonstram as origens do samba, bem como a influência da cultura africana nesse ritmo musical. A partir da exibição desses dois vídeos, peça que os alunos, individualmente, anotem em seus cadernos informações relevantes acerca da origem do ritmo, bem como de sua relação com a cultura africana.
Posteriormente, escolha um dado intérprete desse gênero musical para desenvolver as atividades subsequentes. Nós optamos por Clara Nunes, mas você poderá adaptar a presente aula a vários intérpretes.
Por exemplo: Martinho da Vila, Bezerra da Silva, Chico Buarque.
A presente atividade tem como objetivo uma pesquisa, por parte dos alunos, sobre o gênero samba. Caso considere possível, permita que os alunos pesquisem intérpretes e compositores musicais que tratam da cultura africana no gênero musical em questão.
Como exemplificação, selecionamos a intérprete Clara Nunes, em cujas letras retrata a cultura africana, principalmente os aspectos religiosos e a dança. 
Organize a classe em grupos com 5 componentes, e proponha que os mesmos desenvolvam uma pesquisa sobre os seguintes pontos (caso opte por trabalhar com outros intérpretes, os pontos podem ser os mesmos):
•    biografia artística;
•    influência da cultura africana em sua música.
Caso haja mais grupos do que temas de pesquisa, privilegie o último ponto, "influência da cultura africana em sua música".



37- Festa Para Um Rei Negro   -   Clara Nunes

Nos anais da nossa História
Vamos relembrar
Personagens de outrora
Que iremos recordar
Sua vida, sua glória
Seu passado imortal
Que beleza
A nobreza do tempo colonial

O lê lê, ô lá lá
Pega no ganzê
Pega no ganzá

Hoje tem festa na aldeia
Quem quiser pode
38- Ilê! Pérola Negra (O Canto do Negro)   -  Daniela Mercury
Composição: Miltão / Renê Veneno / Guiguio

O canto do negro
Veio lá do alto
É belo como a íris dos olhos de Deus, de Deus
E no repique, no batuque
No choque no aço
Eu quero penetrar
No laço afro que é meu, e seu
Vem cantar meu povo
Vem cantar você
Bate os pés no chão moçada
E diz que é do Ilê Ayê
Lá vem a negrada que faz
O astral da avenida
Mas que coisa bonita
Quando ela passa me faz chorar
Tu és o mais belo dos belos
Traz paz e riqueza
Tens o brilho tão forte
Por isso te chamo de Pérola Negra
Ê, Pérola Negra
Pérola Negra Ilê Ayê
Minha Pérola Negra
Lá vem a negrada que faz
O astral da avenida
Mas que coisa mais linda
Quando ela passa me faz chorar
Tu és o mais belo dos belos
Traz paz e riqueza
Tens o brilho tão forte
Por isso te chamo de Pérola Negra
Com sutileza
Cantando e encantando a nação
Batendo bem forte em cada coração
Fazendo subir a minha adrenalina
Como dizia Buziga
Edimin
Emife Nagô Dilê
Edimin
Emife Nagô Dilê
Ê, Pérola Negra
Pérola Negra, Ilê Ayê
Minha Pérola Negra.

Para conversar:

A música faz referência ao bloco-afro Ilê Ayê, o mais antigo da Bahia, que se destaca como grupo cultural de luta pela valorização e inclusão da população afro-descendente.
     Que outros grupos culturais conhecemos? Qual sua importância?
     Como a música, a dança, a religiosidade, contribuem para a aproximação entre as pessoas nas nossas comunidades?
     Converse com o grupo sobre as expressões culturais afro-brasileiras, sua importância para a identidade de nosso povo e como podem ser preservadas.


39-  Mama África  -  Chico César

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que
Fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia...(2x)

Mama África, tem
Tanto o que fazer
Além de cuidar neném
Além de fazer denguim
Filhinho tem que entender
Mama África vai e vem
Mas não se afasta de você...

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que
Fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia...

Quando Mama sai de casa
Seus filhos de olodunzam

Rola o maior jazz
Mama tem calo nos pés
Mama precisa de paz...

Mama não quer brincar mais
Filhinho dá um tempo
É tanto contratempo
No ritmo de vida de mama...

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que
Fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia...(2x)

É do Senegal
Ser negão, Senegal...

Deve ser legal
Ser negão, Senegal...(3x)

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que
Fazer mamadeira
Todo o dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia...(2x)

Mama África
A minha mãe
Mama África
A minha mãe
Mama África...


40-Paródia: O mercantilismo
           
Música: Chico Mineiro (autora: Profª Deonice)

Fizemos um estudo na história
E vimos o mercantilismo
Foi a expansão comercial
Do século 16 ao 18
Para aumentar a riqueza
E o poderio das nações
A Europa o que ela queria
Era os metais preciosos na América.

A balança era comercial
Ser favorável também
Possuindo colônias na América
Um dos pilares do mercantilismo
Para obter mais dinheiro
E conquistar mais mercados
As companhias de comércio
Pertenciam aos reis europeus.

Foi então que nesse período
Surgiram muitos piratas
E também os corsários
Que tinham licença de saquear
Inglaterra, França e Holanda
Tinham muita cobiça
Avançar sobre as colônias
Espanholas e portuguesas.

A Companhia das Índias
Os flamengos queriam o açúcar
Regional de Pernambuco
Permaneceram por muito tempo
Sob o comando de Nassau
E quando foram expulsos
O açúcar foi para as Antilhas
E o Brasil entrou em decadência.




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