quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Projeto EJA


Educação de Jovens e Adultos


Canção Para Os fonemas da Alegria


Peço licença para algumas coisas.
Primeiramente para desfraldar
este canto de amor publicamente.


Sucede que só sei dizer amor
quando reparto o ramo azul de estrelas
que em meu peito floresce de menino.

Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano
a palavra ti-jo-lo, por exemplo,

e poder ver que dentro dela vivem
paredes, aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas


são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis gerando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.

Às vezes nem há casa: é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente, que acaba de nascer:

porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,

e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão

que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena paga por ser homem,
mas o modo de amar – e de ajudar

o mundo a ser melhor. Peço licença
para avisar que, ao gosto de Jesus,
este homem renascido é um homem novo:

ele atravessa os campos espalhando
a boa-nova, e chama os companheiros
a pelejar no limpo, fronte a fronte

contra o bicho de quatrocentos anos,
mas cujo fel espesso não resiste
a quarenta horas de total ternura.





Peço licença para terminar
soletrando a canção de rebeldia
que existe nos fonemas da alegria:

canção de amor geral que eu vi crescer
nos olhos do homem que aprendeu a ler.



Santiago do Chile
Verão de 1964







Justificativa:

A presente intervenção justifica-se, principalmente no significado prático que ela tem, tornando-se necessário revermos conceitos perpetuados através de discursos prolixos, fora da realidade. São nas visitas e na citada intervenção que fizemos na turma de EJA é que foi possível ver o quanto de outros contextos que existem nesses meios, e nós como turma, acreditamos que o mais importante é saber que existem soluções para melhoria e essa melhora se consegue gradativamente e não como um passe de mágica, sabendo que toda mudança carece de abdicação de alguma ou até de muitas coisas, cabe a nós num primeiro momento termos a paciência necessária, compreensão mútua e uma luta constante, que se resume muitas vezes num incômodo de acharmos que não tem sentido. Mas o educador de EJA, segundo o que é apreendido, necessariamente deve ter a visão de criar meios para despertar cidadãos críticos, participativos e conseqüentemente transformadores de realidades mais diversas a sua volta e que não contribuem na sua inserção numa sociedade mais justa, humana e igualitária.


O Projeto

Acreditamos que se deve possibilitar meios de desenvolvimento onde a participação das pessoas numa comunidade como cidadãos venha a ser o mais importante, criar meios de valorização dos seres humanos, mostrando para eles, que o mercado, a mídia, o capital ou tantas outras coisas só estão aí dominando e criando estilos de vida, porque nós participamos de tudo isso. Como educadores, não queremos passar uma visão apocalíptica, mas sim mostrar que há solução, não na barbárie, mas numa guerra constante de discursos sadios, de refazer e desfazer os variados tipos de conhecimentos.


Objetivo geral:

Após discussões realizadas em classe e de leituras sobre o EJA temos como propósito desenvolver uma atividade de intervenção onde seja valorizada a expressividade dos educandos e acima de tudo, sejam respeitadas as suas experiências cotidianas, de modo que eles não se sintam inibidos, e a partir da linguagem dos educandos estimulá-los a expressar as suas relações com a sua realidade e com o seu mundo;

Objetivos específicos:

·         Verificar a relação existente entre a realidade do EJA e a teoria de Paulo Freire;
·         Visitar os educandos do grupo Cardoso, observando as atividades desenvolvidas;
·         Estimular ao máximo a expressividade oral dos educandos;
·         Aplicar uma atividade de intervenção na classe valorizando os conhecimentos prévios de cada educando;
·         Traçar um paralelo entre as teorias estudadas e a prática dos educadores de Jequié;

Fundamentação Teórica

O Brasil, desde que colonizado experimentou um longo período em que a maior parte da população era analfabeta, considerando que, seus colonizadores tinham o interesse de apenas explorar a terra, retirando madeiras, metais e explorando seus habitantes, bem como os escravos negros trazidos da África. Portanto não se importavam com a educação desses povos; o que os condicionava a permanecerem numa situação de iletrados. Com esta condição, negros, índios e senhores, relacionavam-se com a submissão/obediência e protecionismo.
            Este período corresponde ao da “sociedade fechada”, ao tempo que do assistencialismo onde os “servos” tinham o direito de permanecerem no mutismo, não no sentido de calar-se, mas de criticizar seu estado e isso incomodava os colonos levando-os a achar que os servos eram enfermos e que seu remédio estaria na atitude de silenciar-se.
            Para Paulo Freire (1983 p. 55), o assistencialismo funciona como violência contra os povos, uma vez que esta atitude impede o diálogo, tira-lhes o direito de serem sujeitos de sua história, de perceber as ideologias subjacentes aos discursos feitos nos púlpitos e os impede de experenciar a democracia, de participarem das decisões em sua sociedade.
Toda vez que tente expressar-se livremente e pretenda participar é sinal de que continua enfermo, necessitando, assim, de mais “remédio”. A saúde para essa estranha democracia, está no silêncio do povo, não sua quietude. Está na sociedade fechada! No imobilismo. Daí que falem tanto os defensores dessa “democracia” na necessidade de preservar o povo, do que chamam de “idéias exóticas”, em última análise, tudo que possa contribuir para a presença atuante do povo no seu processo histórico.”

A democracia só poderá ser estabelecida a partir do momento em que o povo for inserido na educação criticizadora, não apenas sendo alfabetizados. Esta tem como principal preocupação  a “educação para a decisão, para a responsabilidade social e política” (1983, p.12).E compete á pedagogia o “pontapé inicial” para motivar o povo a sair do paternalismo, começando com temas geradores, coletados da realidade vivida por eles, discutindo, construindo juntos o projeto educacional. Porém , o pedagogo deve ter  o cuidado de ajudar o alfabetizando a perceber a importância do ato da leitura e da escrita neste processo de construção da democracia da cidadania, da emersão do estado de ignorância.
Para Freire, o “debate é altamente criticizador e motivador. O analfabeto apreende criticamente a necessidade de aprender a ler e a escrever. Prepara-se para ser o agente deste aprendizado.
E aprende a fazê-lo, na medida mesma em que a alfabetização é mais do que o simples domínio psicológico e mecânico de técnicas de escrever e de ler.É o domínio dessas técnicas, em termos conscientes. É entender o que se lê e escrever o que se entende. É comunicar-se graficamente. É uma incorporação”. (1983,111)
Daí se compreende a importância da alfabetização no processo da transição sócio-cultural e econômico do Brasil, começando pelas crianças e, quando estão não são alcançadas pela educação, ao menos que sejam alcançadas pelos adultos no projeto governamental que é o EJA. Sendo esta uma modalidade de Educação Básica objetivando alcançar os jovens e adultos que se afastavam das escolas ou que não conseguiram ser inseridas nesta por vários motivos como sistema de ensino inadequado ou por condições econômicas desfavoráveis.
Segundo relato de muitos estudiosos, a educação dos adultos, desde a Segunda Guerra Mundial tem ficado com a responsabilidade do Estado, o que difere da educação não-formal, que é exercida por Ongs. Desde os tempos coloniais, onde tinha-se o objetivo de educar os adultos segundo alguns preceitos da igreja, a educação popular era vista como uma extensão formal para todos, inclusive aqueles que não tiveram oportunidade de concluir os estudos em idade própria.
Para discutir o tema Educação de Adultos foram realizadas algumas conferências internacionais. A primeira realizada na Dinamarca encarou a Educação de Adultos como uma forma de contribuir para o resgate do respeito aos direitos humanos e para a construção da paz duradoura. A segunda em Montreal no ano de 1963 defende que ela deve ser uma continuação da educação formal, permanente e como uma educação de base ou comunitária. A terceira em Tókio volta a defender a Educação de Adultos como suplência da Educação Fundamental. A IV em Paris, 1985, caracterizou-se pela pluralidade de conceitos, surgindo então o conceito de Educação de Adultos.
Apenas em 1990 com a Conferência Mundial, é que a Educação de Jovens e Adultos é vista como a primeira etapa da Educação Básica consagrando a idéia de que alfabetização não pode ser separada da pós-alfabetização.
Segundo Freire (apud Gadotti 1979, p. 72) nos anos 40, Educação de Adultos era entendida como uma extensão da escola formal, principalmente para a zona rural. Já na década de 50, Educação de Adultos era entendida como uma educação de base, com desenvolvimento comunitário. Com isso, surgem nos anos 50 duas tendências significativas na Educação de Adultos: A Educação de Adultos entendida como uma educação libertadora ( conscientizadora), pontificada por Paulo Freire e a Educação de Adultos entendida como educação funcional (profissional).
Esta contradição entre os tipos de educação é explanada por Paulo Freire em seu livro “Pedagogia do Oprimido”. Nele o autor salienta a importância de uma pedagogia onde o sujeito é visto como sujeito ativo da história do seu mundo. Assim, fica claro que a pedagogia do oprimido tem como objetivo proporcionar a prática da liberdade, liberdade dos oprimidos e dos opressores. Esta idéia coincide com a idéia explanada no Livro Pedagogia da Autonomia (Freire, Ano). Freire não inventou o homem, porém dá ao homem a oportunidade de se descobrir como integrante fundamental do mundo. Este é o chamado método da conscientização.
Freire nos alerta para o risco de produzir novos opressores caso a superação da contradição opressor/oprimido não seja bem sucedida. Porém, se esta superação foi concretizada, o homem fruto desse parto será um homem renovado, capaz de buscar não a sua libertação, mas de outras pessoas que ainda não despertaram seu senso crítico.
A pedagogia proposta por Freire não pode ser estruturada pelos opressores, pois se isso ocorrer se haverá a perpetuação das explorações. Onde os pertencentes à base da hierarquia das classes (oprimidos) se conformarão com sua condição denominada e reproduzirão as regras dos possessivos dominantes.
A educação bancária descrita por Freire considera os indivíduos não como seres pensantes,mas sim como recipientes vazios que precisam ser preenchidos com algo, como nos coloca muito bem o autor acima citado “vasilhas que não contém nada e que os professores depositam conteúdos mecanicamente até que os mesmos memorizem”. Nesta perspectiva há uma negação da educação e do conhecimento como processo de busca.
Em contrapartida ele cita a educação problematizadora, onde o educador tem a intenção de desafiar o educando, de conscientizá-lo. Na perspectiva da educação libertadora o educador não é apenas o que educa, mas aquele que é também um aprendiz, em diálogo com o educando. A educação bancária, segundo Freire enfatiza a permanência, o estático; enquanto que a problematizadora reforça a mudança.
    Analisando as Diretrizes Nacionais de Educação de jovens e adultos percebemos que muitas lutas  foram travadas para a  Educação de jovens e adultos, pois a atenção maior sempre esteve voltada para a educação de fundamental.
     A partir de 1995, o governo federal implementou um conjunto de medidas legislativa, normativa e de controle; com o objetivo de uma reforma educacional que foram as diretrizes.
O direito de jovens e adultos à educação está assegurado no artigo 208 da constituição federal, que garante, o ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurando a todos as que nela não tiverem acesso.
  A lei de diretrizes e  bases da educação nacional (LDB) determina que os sistemas de ensino devem assegurar cursos e exames que proporcione oportunidades educacionais apropriados ao interesses e condições de vida e trabalho dos jovens e adultos. Estipula ainda que o acesso e a permanência dos trabalhadores nas escolas sejam viabilizadas e estimuladas por ações integradas dos poderes públicos.
     Sobre a lei 10.172/2001 do plano nacional de educação (PNE) definiu 26 metas prioritária para o decorrer de 2001-2011, entre elas: alfabetizar em cinco anos  dois terço da população analfabeta, de forma a erradicar o analfabetismo em uma década, assegurando em primeiro lugar o segmento ensino fundamental e em segundo lugar a educação de alunos com mais de 15 anos.
     Apesar da demanda crescente de educação de jovens e adultos , em virtude das exigências de escolaridade para permanência no mercado de trabalho , o governo federal optou por priorizar a educação do ensino fundamental de crianças e adolescentes. Isso é um absurdo, o governo anulou a lei 9424/16 aprovada pelo congresso, que permite computar as matriculas no ensino fundamental presencial de jovens e adultos no calculo da FUNDEF. Com isso desestimula estados e municípios a investirem na educação de jovens e adultos.
     A legislação distribui a responsabilidade dessa educação, transferindo para estados e municípios , implementar programas de educação, como apoio técnico e financeiro suplementar da união a quem cabe coordenar e as políticas e zelar para  a redução de desigualdade regionais.
Desde o inicio dos anos 90, quando foi extinta a fundação Educar, cabe a uma coordenação (COEJA) organismo subordinado pela secretaria de educação. A COEJA estabelece referencias curriculares, disseminou matérias didáticos e implementou o programa de formação de educadores, que foram coordenados por outras instâncias do governo: o conselho da comunidade solidária, programa alfabetização solidárias e outros.
Podemos dividir as funções da Educação de Jovens e Adultos em três: Função reparadora, função eqüalizadora e a função qualificadora.
A primeira diz respeito não a apenas conscientizar os jovens e adultos de seus direitos, mas também diz respeito à necessidade de um modelo educacional que vise à satisfação das necessidades de aprendizagem dos alunos, dando-lhes uma noção de igualdade. A partir da leitura do livro Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, vemos que a educação de Jovens e Adultos tem um cunho político-social muito forte, e ele não recebe a ajuda necessária dos governantes é um projeto que já começa inacabado, no sentido de
material humano, didático e recursos em geral, a única maneira de fazer com que ele venha tomar uma dimensão diferente é levando-o a cumprir a sua função principal que é a de não apenas ensinar ler e escrever, (o que não se consegue na maioria das vezes), mas sim chegar a desmistificar a mente das pessoas no sentido de serem mais atuantes na sociedade em que vivem, sendo que aprender para cada um de nós deveria ser, “Aprender para nós é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”sendo assim o dever dos educadores na  ministração do programa  de jovens e adultos, seria: “O meu papel, ao contrário, é o de escolher, de romper, de decidir e estimular a assunção deste direito por parte dos educandos.”
               A segunda diz respeito à oportunidade que a o EJA dá de permitir que os jovens a adultos busquem conhecimento, discutam, aprendam sobre novas culturas, lhes dando igualdade de oportunidade em sua vida social.
               A terceira fala sobre o caráter permanente da educação, visto que deve haver sempre a atualização, para promover uma adequação e potencialização de desenvolvimento dos educandos.
               Percebemos então, que uma mudança não se faz através apenas de ensinar letras, mas acima de tudo, de transformação de vidas. E é isso que o EJA está buscando. Segundo Paulo Freire em seu livro Pedagogia da Autonomia, a Educação de Jovens e Adultos se faz através de participação, lutas, conhecimentos diversos do meio em que se vive e de forma nenhuma se tornar uma pessoa que aceita o pronto e acabado, pois: o ato de ensinar diz sobre a capacidade de aprender, pois seria: “não apenas para nos adaptar, mas sobretudo para transformar a realidade, para nela intervir, recriando-a...”























Metodologia





Cronograma de Atividades





Avaliação


Confrontando as pesquisas que fizemos ao elaborar este projeto com a realidade que observamos ao visitar o grupo de EJA, podemos perceber que desde tempos remotos não havia a real preocupação com a educação de jovens e adultos. Muitas dificuldades são vividas por educandos e educadores, as classes são muito heterogêneas, o que pode acabar por evitar que o professor avance por causa de certo número de alunos. O número de evasão é muito grande, muitos alunos acabam desistindo do curso, a maioria deles dizem  que por trabalharem o dia inteiro quando chega a noite já estão cansados, e sem ânimo, e muitas vezes encontram na escola conteúdos que não condizem com a sua realidade, o que acaba por desmotivá-los cada vez mais, o que demonstra que é preciso que os assuntos dados em sala de aula devem envolver o cotidiano do educando.


























REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 6. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

Nenhum comentário:

Postar um comentário