sábado, 3 de setembro de 2011

Brincadeiras De Criança


Observando o comportamento das crianças no cotidiano, percebe-se que elas, na era da informatização, passam cada dia mais tempo na frente de um computador, de uma televisão ou se entretendo com brinquedos eletrônicos. Fazendo com que brinquem menos e socializem-se menos com outras crianças. Com isso a criança perdeu o hábito saudável de brincar outras brincadeiras, até mesmo de ver o mundo além da janela. Sendo assim, surge a idéia de uma prática de mudanças no brincar.

Resgatando as brincadeiras antigas:

Propor às crianças um jeito diferente de brincar, resgatando, conhecendo e valorizando brincadeiras infantis antigas possibilitando momentos que desenvolvam suas habilidades cognitivas, seu potencial de reflexão e de construção do conhecimento, pois é com o lúdico que ela experimenta a vida, resolve problemas e desenvolve a sua socialização atitudinal própria e coletiva.

BRINCADIRAS:

Corrida da centopéia:

-Dado o sinal pra começar, todas as equipes deve devem estar formadas, por exemplos, em grupos de 5 crianças.
-Cada equipe deve formar uma “fila” (um atrás do outro), estando cada criança com a mão na cintura do colega da frente.
-Deve ir em direção á linha de chegada sem ser desfeita a fila.
-Caso a corrente se rompa (se uma se uma das crianças soltar o colega da frente), a equipe deve voltar ao lugar de partida e recomeçar o trajeto.
-vencerá a equipe que chegar primeiro a linha de chegada sem romper a fila.

 Corrida de jornal:

Cada criança deve estar com duas folhas de jornal nas mãos.
-Ao sinal de inicio, devem colocar no chão, á sua frente, uma das folhas de jornal, pisar sobre ela.
Depois colocar a outra, dar um passo à frente pisando sobre ela, e apanhar a que ficou atrás, para tornar a colocá-la no chão à sua frente e pisar sobre ela e apanhar a que ficou atrás.
-Farão a troca de jornal ate atingir a chegada.
-Vencerá quem chegar primeiro sem rasgar o jornal.

Corrida de bonde:

Providencie algumas cadeiras e arrume-as assim:
a) Coloque-as uma ao  lado da outra formando a primeira fila;
b) Forme a segunda fileira de cadeira (uma ao lado da outra) de frente para a primeira fileira.
c) Deixe um espaço de 2 ou 3 metros entre as duas fileiras.
- Deve haver uma cadeira a menos a menos que o numero de participantes.
- Cada criança deve sentar-se numa cadeira, com exceção de uma que permanece em pé no espaço entre as duas fileiras.
- A criança que ficar em pé deve contar uma história, e no meio da história deve gritar: ”Olha o bonde!” Quando esta frase for pronunciada, as crianças que estão sentadas trocam de lugar, mudando de uma fileira para outra.
- A criança que estava em pé  também deve correr para tentar se sentar.
- Quem ficar em pé deve continuar a história da criança anterior ou contar outra.
- Para haver um vencedor, é necessário retirar uma cadeira a cada troca...

Corrida da latinha:

Providencie várias latinhas de extrato de tomate pequenas (dessas que vem com a tampinha, pois as outras, em que é preciso usar o abridor, podem causar cortes nas mãos das crianças!)
- Divida a turma em dois (ou mais grupos)
- Os participantes de ambos os grupos devem formar duas filas (uma fila em cada grupo)
- Dado o sinal de partida, um integrante de cada grupo deve colocar uma latinha na palma da mão (sem segurá-la) e caminhar até um determinado lugar e voltar sem derrubar a latinha. Se a latinha cair ele deve recomeçar o trajeto, porém com duas latinhas. O seguinte com três e assim por diante.
- Vencerá a equipe que fizer a tarefa primeira, sem derrubar as latinhas!

Imitando os animais:

Todas as crianças podem está em pé ou sentadas, formando um círculo.
- Dizer no ouvido de cada um o nome de um animal, e a um sinal dado todos deverão imitar o grito do animal soprado no ouvido.
- A seguir, dizer novamente no ouvido de cada criança o nome de outro animal. (na verdade, dizer no ouvido de cada um para ficar quieto, menos no ouvido de uma das crianças. Talvez a mais esportiva ou gaiata, pedir para imitar um galo ou um bode)
- Uma vez que tiver passado a falar no ouvido de todos, pedir que cada qual imite com toda força o grito do animal soprado no ouvido.
- O resultado será bem divertido, pois todos ficarão calados e somente um imitará o animal.



Telefone sem fio:


O grupo deve formar uma roda e escolher o iniciante, aquele que vai falar a

frase (ou uma noticia, uma informação) ao primeiro da roda.
Cada um deve falar no ouvido do outro a mensagem recebida. No final, o ultimo comunica ao grupo a mensagem e todos podem comprovar que: “Quem conta um conto, aumenta um ponto.”
Comente isso com seu educador e seus colegas:
O telefone sem fio é uma brincadeira muito engraçada que, além de divertir, nos ensina que, muitas vezes, perdemos nosso tempo com fofocas desnecessárias, que não acrescentam nada; pelo contrário, só diminuem o valor que temos como cidadãos.

Passa anel:

O grupo deve está sentado em círculo.
Um participante será o passador, que terá nas mãos um anel ou um objeto pequeno qualquer.
O passador vai passando de mão em mão até deixar o anel com um dos participantes. Todos os demais participantes ficarão com as mãos juntas e não abrirão até que se identifique com quem está o anel.
Depois de ter passado em todas as mãos, ele pergunta: - com quem está o anel? E todos, sem abrirem as mãos, devem tentar descobrir, “inclusive, aquele que estiver com o anel”, para tentar confundir os companheiros.
Quem descobrir será o próximo passador.

Prova de fogo:

Regras:
Cada participante deverá cumprir a prova de fogo no menor tempo possível.
Os melhores das equipes ficarão para a final.
O educador deverá marcar o tempo e orientar os grupos.
O grupo todo participará da seqüência das atividades. Em primeiro lugar dividi-se o grupo em duas ou mais equipes (dependendo do número de participantes)
Como será a prova?
A prova consiste em passar por quatro tipos diferentes de obstáculos no menor tempo possível.
Você vai precisar de: um colchão (tatame), um banco, cinco bambolês, cinco obstáculos (cones, latas...)
- Virar uma cambalhota no colchão.
- Contornar obstáculos em ziguezague.
- Passar pelos bambolês saltando com um pé de cada vez.
- Passar sobre o banco sem cair.
O vencedor será conhecido após a disputa entre os melhores das equipes.
Quem fizer o menor tempo será o vencedor.

Vira latas:

O ideal é organizar as latas num local que mais alto da cintura da criança (mureta, mesa ou até cadeira).
Organize as latas em cima da mesa, formando uma pirâmide.
O grupo deve combinar a distancia a ser respeitada para jogar (mais ou menos 5 metros) e marcar o chão para que ninguém ultrapasse.
Cada participante arremessa a bola procurando derrubar todas as latas.
Quem arremessa deve deixar as latas arrumadas para o próximo companheiro.
Ganha quem conseguir derrubar todas as latas com o menor numera de arremessos.

Bamboleando:

O grupo deverá estar bem dividido pelo ambiente. (brincar com bambolê exige espaço.) a dica é começar pelos movimentos mais fáceis:
- Comece girando o bambolê em torno do braço.
- Gire em torno do pescoço.
- Gire em torno da perna esquerda e depois da perna direita.
- Agora, tente mantê-lo rodando em volta da cintura!
- Vamos ver quem consegue ficar mais tempo bamboleando?

Coelhinho na toca:

O grupo é dividido em subgrupos de três para brincar. Um participante deve sobrar.
Desenham-se cinco círculos no chão. Em cada circulo (toca) devem três participantes.
Dois fazem a toca e um é o coelhinho.
Quando estiverem nas tocas e preparados dizem juntos:
- Coelhinho na toca 1, 2, 3...!
Imediatamente todos os coelhinhos que estiverem dentro da toca devem sair e “trocar de toca”.
Nessa movimentação, “o coelhinho que estava sobrando” deve tentar encontrar uma toca. Assim que um coelhinho entrar as mãos são abaixadas indicando que não pode entrar outro coelhinho.
A brincadeira recomeça e novamente o coelhinho que sobrou deve tentar encontrar sua toca.

Tatu quer sair:

O grupo faz uma Roda. Todos de maus dadas.
Um grupo participante será o tatu e ficara no centro da roda. O objetivo do tatu é sair de qualquer jeito.
Ele deve tentar romper as mãos dadas e ganhar a liberdade. A cada tentativa, segurar firme as mãos, para impedir a saída do tatu.
Antes de forçar, o grupo pergunta:
-Tatu quer sair?
-Quero!
-Tenho chave para abrir?
-Tenho... (a chave é imaginária)
Depois de três tentativas ele força a saída. Quem deixá-lo sair fica em seu lugar.


Observando o comportamento das crianças no cotidiano, percebe-se que elas, na era da informatização, passam cada dia mais tempo na frente de um computador, de uma televisão ou se entretendo com brinquedos eletrônicos. Fazendo com que brinquem menos e socializem-se menos com outras crianças. Com isso a criança perdeu o hábito saudável de brincar outras brincadeiras, até mesmo de ver o mundo além da janela. Sendo assim, surge a idéia de uma prática de mudanças no brincar.

Resgatando as brincadeiras antigas:

Propor às crianças um jeito diferente de brincar, resgatando, conhecendo e valorizando brincadeiras infantis antigas possibilitando momentos que desenvolvam suas habilidades cognitivas, seu potencial de reflexão e de construção do conhecimento, pois é com o lúdico que ela experimenta a vida, resolve problemas e desenvolve a sua socialização atitudinal própria e coletiva.

BRINCADEIRAS:

Corrida da centopéia:

-Dado o sinal pra começar, todas as equipes deve devem estar formadas, por exemplos, em grupos de 5 crianças.
-Cada equipe deve formar uma “fila” (um atrás do outro), estando cada criança com a mão na cintura do colega da frente.
-Deve ir em direção á linha de chegada sem ser desfeita a fila.
-Caso a corrente se rompa (se uma se uma das crianças soltar o colega da frente), a equipe deve voltar ao lugar de partida e recomeçar o trajeto.
-vencerá a equipe que chegar primeiro a linha de chegada sem romper a fila.

 Corrida de jornal:

Cada criança deve estar com duas folhas de jornal nas mãos.
-Ao sinal de inicio, devem colocar no chão, á sua frente, uma das folhas de jornal, pisar sobre ela.
Depois colocar a outra, dar um passo à frente pisando sobre ela, e apanhar a que ficou atrás, para tornar a colocá-la no chão à sua frente e pisar sobre ela e apanhar a que ficou atrás.
-Farão a troca de jornal ate atingir a chegada.
-Vencerá quem chegar primeiro sem rasgar o jornal.

Corrida de bonde:

Providencie algumas cadeiras e arrume-as assim:
a) Coloque-as uma ao  lado da outra formando a primeira fila;
b) Forme a segunda fileira de cadeira (uma ao lado da outra) de frente para a primeira fileira.
c) Deixe um espaço de 2 ou 3 metros entre as duas fileiras.
- Deve haver uma cadeira a menos a menos que o numero de participantes.
- Cada criança deve sentar-se numa cadeira, com exceção de uma que permanece em pé no espaço entre as duas fileiras.
- A criança que ficar em pé deve contar uma história, e no meio da história deve gritar: ”Olha o bonde!” Quando esta frase for pronunciada, as crianças que estão sentadas trocam de lugar, mudando de uma fileira para outra.
- A criança que estava em pé  também deve correr para tentar se sentar.
- Quem ficar em pé deve continuar a história da criança anterior ou contar outra.
- Para haver um vencedor, é necessário retirar uma cadeira a cada troca...

Corrida da latinha:

Providencie várias latinhas de extrato de tomate pequenas (dessas que vem com a tampinha, pois as outras, em que é preciso usar o abridor, podem causar cortes nas mãos das crianças!)
- Divida a turma em dois (ou mais grupos)
- Os participantes de ambos os grupos devem formar duas filas (uma fila em cada grupo)
- Dado o sinal de partida, um integrante de cada grupo deve colocar uma latinha na palma da mão (sem segurá-la) e caminhar até um determinado lugar e voltar sem derrubar a latinha. Se a latinha cair ele deve recomeçar o trajeto, porém com duas latinhas. O seguinte com três e assim por diante.
- Vencerá a equipe que fizer a tarefa primeira, sem derrubar as latinhas!

Imitando os animais:

Todas as crianças podem está em pé ou sentadas, formando um círculo.
- Dizer no ouvido de cada um o nome de um animal, e a um sinal dado todos deverão imitar o grito do animal soprado no ouvido.
- A seguir, dizer novamente no ouvido de cada criança o nome de outro animal. (na verdade, dizer no ouvido de cada um para ficar quieto, menos no ouvido de uma das crianças. Talvez a mais esportiva ou gaiata, pedir para imitar um galo ou um bode)
- Uma vez que tiver passado a falar no ouvido de todos, pedir que cada qual imite com toda força o grito do animal soprado no ouvido.
- O resultado será bem divertido, pois todos ficarão calados e somente um imitará o animal.



Telefone sem fio:


O grupo deve formar uma roda e escolher o iniciante, aquele que vai falar a

frase (ou uma noticia, uma informação) ao primeiro da roda.
Cada um deve falar no ouvido do outro a mensagem recebida. No final, o ultimo comunica ao grupo a mensagem e todos podem comprovar que: “Quem conta um conto, aumenta um ponto.”
Comente isso com seu educador e seus colegas:
O telefone sem fio é uma brincadeira muito engraçada que, além de divertir, nos ensina que, muitas vezes, perdemos nosso tempo com fofocas desnecessárias, que não acrescentam nada; pelo contrário, só diminuem o valor que temos como cidadãos.

Passa anel:

O grupo deve está sentado em círculo.
Um participante será o passador, que terá nas mãos um anel ou um objeto pequeno qualquer.
O passador vai passando de mão em mão até deixar o anel com um dos participantes. Todos os demais participantes ficarão com as mãos juntas e não abrirão até que se identifique com quem está o anel.
Depois de ter passado em todas as mãos, ele pergunta: - com quem está o anel? E todos, sem abrirem as mãos, devem tentar descobrir, “inclusive, aquele que estiver com o anel”, para tentar confundir os companheiros.
Quem descobrir será o próximo passador.

Prova de fogo:

Regras:
Cada participante deverá cumprir a prova de fogo no menor tempo possível.
Os melhores das equipes ficarão para a final.
O educador deverá marcar o tempo e orientar os grupos.
O grupo todo participará da seqüência das atividades. Em primeiro lugar dividi-se o grupo em duas ou mais equipes (dependendo do número de participantes)
Como será a prova?
A prova consiste em passar por quatro tipos diferentes de obstáculos no menor tempo possível.
Você vai precisar de: um colchão (tatame), um banco, cinco bambolês, cinco obstáculos (cones, latas...)
- Virar uma cambalhota no colchão.
- Contornar obstáculos em ziguezague.
- Passar pelos bambolês saltando com um pé de cada vez.
- Passar sobre o banco sem cair.
O vencedor será conhecido após a disputa entre os melhores das equipes.
Quem fizer o menor tempo será o vencedor.

Vira latas:

O ideal é organizar as latas num local que mais alto da cintura da criança (mureta, mesa ou até cadeira).
Organize as latas em cima da mesa, formando uma pirâmide.
O grupo deve combinar a distancia a ser respeitada para jogar (mais ou menos 5 metros) e marcar o chão para que ninguém ultrapasse.
Cada participante arremessa a bola procurando derrubar todas as latas.
Quem arremessa deve deixar as latas arrumadas para o próximo companheiro.
Ganha quem conseguir derrubar todas as latas com o menor numera de arremessos.

Bamboleando:

O grupo deverá estar bem dividido pelo ambiente. (brincar com bambolê exige espaço.) a dica é começar pelos movimentos mais fáceis:
- Comece girando o bambolê em torno do braço.
- Gire em torno do pescoço.
- Gire em torno da perna esquerda e depois da perna direita.
- Agora, tente mantê-lo rodando em volta da cintura!
- Vamos ver quem consegue ficar mais tempo bamboleando?

Coelhinho na toca:

O grupo é dividido em subgrupos de três para brincar. Um participante deve sobrar.
Desenham-se cinco círculos no chão. Em cada circulo (toca) devem três participantes.
Dois fazem a toca e um é o coelhinho.
Quando estiverem nas tocas e preparados dizem juntos:
- Coelhinho na toca 1, 2, 3...!
Imediatamente todos os coelhinhos que estiverem dentro da toca devem sair e “trocar de toca”.
Nessa movimentação, “o coelhinho que estava sobrando” deve tentar encontrar uma toca. Assim que um coelhinho entrar as mãos são abaixadas indicando que não pode entrar outro coelhinho.
A brincadeira recomeça e novamente o coelhinho que sobrou deve tentar encontrar sua toca.

Tatu quer sair:

O grupo faz uma Roda. Todos de maus dadas.
Um grupo participante será o tatu e ficara no centro da roda. O objetivo do tatu é sair de qualquer jeito.
Ele deve tentar romper as mãos dadas e ganhar a liberdade. A cada tentativa, segurar firme as mãos, para impedir a saída do tatu.
Antes de forçar, o grupo pergunta:
-Tatu quer sair?
-Quero!
-Tenho chave para abrir?
-Tenho... (a chave é imaginária)
Depois de três tentativas ele força a saída. Quem deixá-lo sair fica em seu lugar.



Perfil do Autor
Pedagoga especialista em Educação Infantil.Atuante na Educação I a IV. Amo o que faço. Todo dia me deparo com novas descoberta e fascinante.
(Artigonal SC #716012)
Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/educacao-infantil-artigos/brincadeiras-de-crianca-716012.html

A História da Educação Infantil no Contexto Brasileiro




As primeiras creches foram criadas no Brasil no final do século XIX e início do século XX, e tinham como finalidade retirar as crianças abandonadas da rua, diminuir a mortalidade infantil, formar hábitos higiênicos e morais nas famílias, alicerçado em um caráter extremamente assistencialista. Considerando que, nessa época, não se tinha um conceito bem definido sobre as especificidades da criança, a mesma era "[...] concebida como um objeto descartável, sem valor intrínseco de ser humano" (RIZZO, 2003, p. 37).
Com o avanço da industrialização e o aumento do número de mulheres da classe média no mercado de trabalho, aumentou a demanda pelo serviço das instituições de atendimento à infância.  Fatores como o alto índice de mortalidade infantil, a desnutrição generalizada e o número significativo de acidentes domésticos, fizeram com que alguns setores da sociedade, dentre eles os religiosos, os empresários e educadores, começassem a pensar num espaço de cuidados da criança fora do âmbito familiar. Foi com essa preocupação, ou com esse "[...] problema, que a criança começou a ser vista pela sociedade e com um sentimento filantrópico, caritativo, assistencial é que começou a ser atendida fora da família" (DIDONET, 2001, p. 13). Ainda segundo o autor:
Enquanto para as famílias mais abastadas pagavam uma babá, as pobres se viam na contingência de deixar os filhos sozinhos ou colocá-los numa instituição que deles cuidasse. Para os filhos das mulheres trabalhadoras, a creche tinha que ser de tempo integral; para os filhos de operárias de baixa renda, tinha que ser gratuita ou cobrar muito pouco; ou para cuidar da criança enquanto a mãe estava trabalhando fora de casa, tinha que zelar pela saúde, ensinar hábitos de higiene e alimentar a criança. A educação permanecia assunto de família. Essa origem determinou a associação creche, criança pobre e o caráter assistencial da creche. (DIDONET, 2001, p. 13)
Nesse sentido, vale ressaltar que uma das instituições brasileiras mais duradouras de atendimento à infância, que teve seu início antes da criação das creches, foi a "roda dos expostos" ou "roda dos excluídos", local onde se colocavam os bebês abandonados. Era composto por uma forma cilíndrica, dividida ao meio por uma divisória e fixado na janela da instituição ou das casas de amparo. Assim, a criança era entregue a esta instituição, sendo preservada a sua identidade.
Por mais de um século a roda de expostos foi a única instituição de assistência à criança abandonada no Brasil e, apesar dos movimentos contrários a essa instituição por parte de segmento da sociedade, foi somente no século XX, já em meados de 1950, que o Brasil efetivamente extinguiu-a, sendo o último país a acabar com o sistema da "roda dos excluídos".
Mesmo com o trabalho desenvolvido nas casas de amparo, por meio da roda dos expostos, um número significativo de creches foram criadas, não pelo poder público, mas exclusivamente por organizações filantrópicas. Destaca-se que, se por um lado, os programas de baixo custo, voltados para o atendimento às crianças pobres, surgiam no sentido de atender às mães trabalhadoras que não tinham onde deixar seus filhos, a criação dos jardins de infância foi defendida por alguns setores da sociedade, por acreditarem que os mesmos trariam vantagens para o desenvolvimento infantil; porém, ao mesmo tempo foi criticado por identificá-los com instituições européias.
Desde modo, as tendências que acompanharam a implantação de creches e jardins de infância, no final do século XIX e durante as primeiras décadas do século XX no Brasil, foram: a jurídico-policial, que defendia a infância moralmente abandonada, a médico-higienista e a religiosa, ambas tinham a intenção de combater o alto índice de mortalidade infantil, tanto no interior da família como nas instituições de atendimento à infância. Cada instituição, segundo KUHLMANN Jr., (1998), "[...] apresentava as suas justificativas para a implantação de creches, asilos e jardins de infância onde seus agentes promoveram a constituição de associações assistenciais privadas"( KUHLMANN Jr., 1998, p. 88),
KRAMER (1995) aponta que as crianças das diferentes classes sociais eram submetidas a contextos de desenvolvimento diferentes, já que, enquanto as crianças das classes menos favorecidas eram atendidas com propostas de trabalho que partiam de uma idéia de carência e deficiência, as crianças das classes sociais mais abastadas recebiam uma educação que privilegiava a criatividade e a sociabilidade infantil. Enquanto que as instituições públicas atendiam às crianças das camadas mais populares, as propostas das particulares, de cunho pedagógico, funcionavam em meio turno, dando ênfase à socialização e à preparação para o ensino regular.
Os jardins de infância, diferentemente das creches, cuja idéia européia chegou ao Brasil no final do século XIX, tinham, desde sua origem, finalidades essencialmente pedagógicas voltadas ao atendimento das camadas mais abastadas da população. Os primeiros jardins de infância foram fundados em 1875, no Rio de Janeiro/RJ, e em 1877, em São Paulo/SP, mantidos por entidades privadas. Mesmo os primeiros jardins-de-infância públicos, inspirados nas propostas de Froebel, criados em 1908, em Belo Horizonte e em 1909, no Rio de Janeiro, também atendiam a crianças de segmentos mais privilegiados economicamente.
A partir dos jardins, foram também criadas, durante os anos 20 e 30, salas pré-primárias que funcionavam junto às escolas primárias. Também, nesse período, sob a influência do ideário da Escola Nova, surgiu o atendimento em praças públicas, denominados de "Parques Infantis", para as crianças da classe operária (OLIVEIRA, 2002). Nestes estabelecimentos, a profissional era definida como professora e sua ação exigia formação pedagógica em Cursos Normais, em nível médio.
Apesar dessas iniciativas, a expansão da educação pública de crianças menores de seis anos, tanto em creches como em jardins-de-infância, foi se dando lentamente. Somente no final dos anos 70, se observa uma expansão das creches e pré-escolas no Brasil, em função de diversos fatores como a crise do regime militar, o crescimento urbano, a participação crescente das mulheres no mercado de trabalho, a reconfiguração do perfil familiar, a intensificação dos movimentos sociais organizados, em especial de grupos de mulheres, e a influência de políticas sociais de órgãos internacionais para países de terceiro mundo.
A partir da necessidade de novas estratégias governamentais para atender à crescente demanda por atendimento às crianças menores de 7 anos, foram desencadeadas políticas de cunho compensatório e emergencial que articulavam ampliação quantitativa do atendimento e baixo investimento público.
Durante os anos 80, como resultado das reivindicações de diversos setores da sociedade, efetuam-se conquistas históricas no plano legal relativas à criança e sua educação. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), reconhecem a educação como direito da criança de 0 a 6 anos e como dever do Estado, sob a responsabilidade dos municípios, em regime de colaboração, a cumprir-se mediante o "atendimento em creches, (0 a 3 anos) e pré-escolas (4 a 6 anos)", definindo ambas como instituições educacionais.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em <www.planalto.gov.br/legislação/leis> Acesso em 05.07.2010.
______. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069, de 13 de junho de 1990.
DIDONET, Vital. Creche: a que veio, para onde vai. In: Educação Infantil: a creche, um bom começo. Em Aberto/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. v 18, n. 73. Brasília, 2001
KUHLMANN, JR, M. Infância e Educação Infantil: uma abordagem histórica. Porto Alegre: Mediação, 1998
RIZZO, Gilda. Creche: organização, currículo, montagem e funcionamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação Infantil: Fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002

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